p.s: Tinhha até fones de ouvidos que traduziam o que os franceses falavam! Lindo né?
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Chique na parada.
p.s: Tinhha até fones de ouvidos que traduziam o que os franceses falavam! Lindo né?
Domingo, 21 de Junho de 2009
Terça-feira, 16 de Junho de 2009
Eu e o frânces despindo o rei.
Ela nos desafiou, ofereceu dois pontos em troca de que falássemos sobre algum filosófo contemporâneo, aceitei o desafio e ela me entregou uma lista, com o nome dos caras, escolhi o frânces. Meu caminho então, foi cruzado com o de Michel Onfray.O dia de apresentar sobre ele chegou, comecei contando a fábula do rei, de Andersen, aquela em que ele pensa que está bem vestido mas está nu. E dessa forma trilhei meus colegas para a palavra: ilusão, chegando a deus, e ao "Projeto hedonista ético" de Onfray (que criou uma universidade em Caén sem fins lucrativos, para ensinar filosofia para as pessoas, sejam elas de qualquer tipo) achei o cara um máximo, aliás, quando comecei a saber sobre quem eu pesquisava, me achei sortuda de ter pegado um filósofo do qual os pontos de vista não são tão diferentes dos meus. Foi um acaso muito lindo mesmo, e eu fiquei feliz. Onfray diz em Tratado de Ateologia: "Os três monoteísmos, animados pela mesma pulsão da morte geneológica, partilham uma série de desprezos idênticos: ódio à razão, ódio a liberdade, ódio a todos os livros em nome de um só, ódio à vida, ódio a sexualidade, às mulheres, ao prazer, ódio ao feminino, ódio aos corpos, aos desejos, às pulsões. Em vez de tudo isso, o judaísmo, o cristianismo e o Islão defendem: a fé e a crença, a obediência e a submissão, o gosto pela morte e a paixão do além, o anjo assexuado e a castidade, a virgindade e a fidelidade monogâmica, a esposa e a mãe, alma e o espírito.
Sexta-feira, 12 de Junho de 2009
Deixe a porta aberta, por favor.
Domingo, 7 de Junho de 2009
Sábado, 6 de Junho de 2009
Ex-istindto
"É só desse jeitinho?" Me pergunto mentalmente todos os dias no café da manhã.
"Desse jeitinho é chato", me reforço mentalmente no leite da noite.
Sabe, ando pensando em pensar em dinheiro, todo mundo gosta de dinheiro, por que eu nunca me importei diretamente?
Ando pensando em quebrar copos no muro. Mas acho que vão me cobrar.
Quem sabe pensar em dinheiro, atraia dinheiro, que possam pagar o que eu realmente quero. Quebrar quinze copos em um muro. Ao vivo e a olhos estranhos.
Não prendo mais grampos no cabelo, eles deslizam e caem. Eu gosto de grampos. Grampos pretos. Agora marco meus livros com eles, ainda me são úteis.
Cortei minhas unhas, quem percebeu achou um absurdo. Mais para provar para mim mesma que não preciso delas, mandei ver. Voltei a sentir a ponta dos meus dedos.
Não acho mais a distância do ônibus, até onde eu ando morando, longa. Eu só quero chegar, talvez seja isso, isso me conforta, sinal de que tempo é remédio.
Pude perceber que sexta foi diferente de todo o resto da semana, um sol diferente, a nova estação talvez esteja chegando finalmente, estava temendo que essas chuvas ficassem emburradas e não quisessem se retirar tão cedo.
Tossi umas duas vezes essa semana, sinal de que estou sarando.
Mamãe, anda me ligando mais. Acho que percebeu minha carência, mesmo assim, não consigo falar direito, ouvir o que ela me conta e a barulheira caseira me parece mais vantajoso.
A caixa de correio tinha uma carta da Carolina para mim, fiquei feliz.
Não comi churrus de chocolate nessa sexta. Foram três sextas inesquecíveis. Uma que experimentei churrus pela primeira vez, outra que saciei a vontade da semana toda lembrando deles e a terceira, que não repeti. Aproveitando o paladar, descobri que ainda gosto de petas. Comi algumas petas essa semana.
Esses dias, me olhei no espelho e não me reconheci, vi uma mulher.
Acho que escrever se tornou hábito, ando escrevendo muito, até comprei um novo caderno. Escrevendo sobre tudo, até sujeira no chão.
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009
Olhos regados.
Começava o dia sem abrir os olhos desde criança. Carmem aprendeu a acordar e não abrir os olhos. Toda manhã era assim, desde que criou o hábito, e até depois de casada, continuava com a mania. Aurélio, seu marido, no começo achou estranho, mas como os olhos da esposa, se acostumou. Ela cheirava as cobertas, e com muita força de vontade segurava seus próprios cílios. O que ela mais achava engraçado, era que mesmo com tanto tempo acordando da mesma maneira, a curiosidade dos cílios de se abrirem primeiro e só depois se levantar, era a mesma de sempre. Depois de levantada, e de olhos abertos, Carmem preparava o café. Na casa eram apenas ela e Aurélio. Tomavam café juntos todos os dias no mesmo horário. Ela trazia o jornal para ele, que lhe dava um beijo de bom dia. Aurélio tinha a mania de estender o jornal e depois de alguns minutos de barulho de colher mexendo chão de xícara, praticamente gritava sobre algo que achava um absurdo ou espetacular noticiado no jornal. Algumas vezes Carmem estava com o café na goela quando isso acontecia, e tossia de susto, ele comentava que ela vivia assustada e sorria, e as narinas de Carmem exalavam diferente...ódio. Ela odiava essa mania do marido. Se despediam com outro beijo que representava que não se veriam mais, não até o almoço, e Carmem botava luvas azuis e ia para o jardim. Se punha então a regar todas as flores e ervas daninhas, retirava folhas semi-mortas, e procurava ninhos de passarinho, retirava mamões maduros e colhia tulipas vermelhas para por na pia da cozinha, isso a fazia se distrair quando lavava a louça.
Certo dia, quando já estava de luvas e colhendo tulipas, pois-se a cheirar as tulipas antes de chegar a cozinha e sentiu o cheiro da terra molhada como nunca antes. Levantou as sobrancelhas e salivou de repente. Imaginou-se então, coberta de terra. Sem olhar para os lados Carmem encheu as mãos de terra molhada e engoliu. A terra, marrom avermelhada grudou no céu de sua boca e pintou seus dentes, e as salivas chegavam cheias de pretensão, como se estivessem seduzindo, para que a terra fosse deslizando logo pelo o organismo inteiro. Carmem adorou o gosto da terra molhada e engoliu mais uma vez. Foi para a cozinha cantando e esperou pelo beijo de chegada de Aurélio. Ele chegava, perguntava o que ela achava sobre algumas pessoas do seu trabalho, as quais ela pouco conhecia, e sem esperar o achismo dela, os dois, enchiam suas bocas de comida e bebida.
Anoiteceu e Carmem não conseguia dormir, sentia o cheiro de terra molhada nos lençóis e salivava. Pois a mão perto dos olhos do marido e mexeu para conferir se estava acordado, não estando foi para o jardim. Molhou a terra e comeu. Sorriu para a lua cheia, acariciou as tulipas, e comeu de novo.
Aurélio nunca descobriu o que a esposa andava fazendo. A terra marrom avermelhada nunca descobriu que trazia felicidades não só para tulipas.
E Carmem acordou feliz aquela manhã, sem abrir os olhos é claro.
Teve um sonho sublime, terra no jantar.
Sexta-feira, 29 de Maio de 2009
Esqueleto de peixe

Comprei a cordinha do meu pen drive, quando perguntei ao moço, ele me mostrou só cordinhas cor de rosa, odeio quando isso acontece, (será até quando vão me mostrar apenas sessões de cor de rosa?) Mas aí... no meio das cordinhas rosas eu vi a vermelha, e sabe o que tinha no zíper da cordinha vermelha? Um esqueleto de peixe! Sim! Sabe nos desenhos animados? Quando os personagens comem o peixe e sobra só a espinha dele? Poisé!
Achei tão inusitado, me apaixonei e levei.
Aqui estou eu com a cordinha no pescoço, e um esqueleto...um esqueleto de peixe de zíper.
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Nunca. Ouvi. Falar.
O carro parou no posto. Ela desceu para sacar seu dinheiro e comprar um maço. Do meu lado parou um fusca que parecia ter sido bem branco antigamente. Desceu um homem de cabelos até o pescoço e que usava um óculos maneiro e roupas largadas. Até aí tudo bem, mas foi aí que o som do fusquinha começou. Um rock daqueles bem antigos, que só eu tenho vontade de descobrir quem canta e nunca me vem a oportunidade de descobrir. Veio-me a sensação "agora ou nunca", e reparei se tinha alguém no carro, tinha uma moça do lado de fora, encostada, e gritei:
-Ei! Moça!
Ela não ouviu. Tentei de novo.
-Moça! Ô moça!
Nada. Desisti rápido e minha tia voltava com seu maço e dinheiro nas mãos. Pergunta-me:
-E essa cara?
-Queria saber a música que está tocando...
-Por que nao pergunta?
Eu já tinha perguntado. Mas absorvo a sugestão indo até lá. Futuco o ombro da moça e pergunto.
-Sim, estou nesse carro, quem canta é o...o...Espera! Aquele rapaz ali te responde, ele é o dono do carro e do cd.
E veio o homem, aquele mesmo, de óculos maneiros.
-Oi, você pode me dizer quem está cantando?
Ri. Abaixa os óculos e pergunta em vez de responder:
-Você gosta?!
-Sim...mas não sei quem canta...
-É o chuck! Chuck Berrys! Já ouviu falar? É clássico!
-Não...mas vou saber agora!
Ele vem se aproximando, eu vou me afastando e ficamos separados por um carro, ele grita:
-Chuck berrys!
-C-H-U-C-K-B-E-R-R-I-E-S?
-Não, Y-S!
-Ah! Tá!
E entrei no carro. E a tia pergunta:
-E aí? De quem era a música?
-Chuck. Chuck Berrys.
-Nunca vi mais gordo!
-Hum?
E a música e o não agradecimento ficaram na minha cabeça.
No mundo dos mimimi.
Sem ideia.
Faço ideia do que sou.
Mas é só uma ideia.
Eu faço parte dela, entrando em contato.
Provando. Provar, parece incorreto, já que quando se é, se é e acabou.
Faço ideia do que sou.
Mas é só uma ideia.
Tenho que saber se eu ajo de acordo com ela mesmo, mas...se tenho que saber, quer dizer que não sei, posso não saber, se sou?
Faço ideia do que sou! Mas é só uma ideia. Preciso sentir que faço e sei só vivendo com ela. Mas se preciso, não tenho, não é?!
Não provo, não faço, não sei, não tenho, e acho que precisava de tudo isso.
Não faço ideia de quem sou.
Mas ainda assim... é só mais uma.
Uma ideia!
Terça-feira, 26 de Maio de 2009
A princesa e o sapo em um passe de marcha.
O sol estava normal. A rua estava normal. E as plantas do caminho estavam agitadas. Vento, ele gosta delas. Passava carros, e um parou do lado da moça bonita desconhecida, o vidro se abria e saiu uma voz bonita e desconhecida que lhe disse:
-A princesa quer carona? (Terminou sorrindo)
E ela lhe respondeu ironica:
-E o sapo? Quer a princesa não é?
-É uma pena que eu não dê caronas para princesas engraçadinhas...
-Logo agora que eu ia resolver pegar carona com sapos sérios?
E virou-se para ele. Que ficou abismado. Ficaram sérios e riram. Ele disse então:
-A princesa quer ou não carona?
-Não posso aceitar carona de sapos, ainda mais estranho.
-Beto, engraçadinha.
-Sueli, rua 75, por favor.
E foi nessa esperteza que a princesa entrou no carro rápido. O sapo ficou de boca aberta, riu e levou-a em um passe de marcha para a rua 75.
Um para o outro.
Ele escreveu uma carta dizendo que não ia mais voltar. Ela leu, abraçou o papel, e rasgou.Todas as letras se desuniram, como se não bastasse apenas a separação deles.
Depois, ele ligou dizendo que não ia mais voltar. Ela atendeu, tampou o telefone, e bateu ele no gancho com tanta força que o fio saiu do receptor. Toda uma conexão desviada, como se não bastasse apenas o desvio entre eles.
Passou-se alguns dias e ele mandou um email dizendo que não ia mais voltar. Ela clicou no item, leu, e excluiu sem ler mais de uma vez. Todo um trabalho de mãos desperdiçados...
Mas porque ele insistia em dizer que não voltaria? Queria fazê-la sofrer?
Ela escreveu uma carta dizendo que já sabia que ele não ia mais voltar. Ele leu, abraçou o papel, e rasgou. Mas uma vez as pobres das letras se desuniram.
Depois, ela ligou dizendo que já sabia que ele não voltaria. Ele atendeu, tampou o telefone, e bateu no gancho com tanta força que o fio só não saiu porque não existia.
Passou-se alguns dias e ela mandou um email dizendo que não precisava avisar mais, ela já entendia que ele não ia voltar. Ele, leu e excluiu.
Mas porque ela insistia em dizer que ele não voltaria? Queria fazê-lo sofrer?
Um agia da mesma forma que o outro. Mas talvez não fossem feitos um para o outro. Como ele não voltou mais e ela também não disse mais que já sabia, o verão foi embora.
Segunda-feira, 25 de Maio de 2009
Uma pessoa doce no meio da confusão.
Eu ficava meio que sem entender aonde eu vivia, aonde eu tinha que estar, e porque aquelas pessoas eram determinadas a serem minhas. Mas eu não perguntava para ninguém, nem para aquela moça bonita e carinhosa que vivia me dizendo que eu tinha saído da sua barriga.
(p.s: Eu amo minha irmã. )
Sábado, 23 de Maio de 2009
Dentro daquela pia morreu um duende.
Com o endereço nas mãos, foi parar na nova casa. Abriu a porta pela segunda vez, a primeira foi quando decidiu comprá-la. A casa, com poucos móveis ainda, cheirava churrasco, descobriu depois que vinha dos vizinhos, e abriu as janelas. Como a casa não estava suja, não sabia o que fazer, resolveu então fazer uma lista de compras e tirou as malas do carro, organizando uns livros na prateleira depois. Deitou-se no chão com uma almofada chinesa que ganhara do irmão, aniversário passado, e dormiu. Nada. Foi para a cozinha e do banheiro escutou:
(Dedicado a uma colega da sexta série, Ana Bárbara, que me contou sobre uma prima dela, que afogou um duende na pia.)
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
Sem esmolas.
Como toda feira: Muita gente,
muito barulho, muita comida e cheiros
para dar e vender.
No meio da bagunça, um som.
Era uma sanfona quando conseguiu ouvir mais de perto, um cego que tocava, um cego que parecia gostar de viver, e olhando para a sanfona, cantou o trecho:
-"...deus do céu ai, por que tamanha judiação..."
Planta, pimenta, torta, espeto, cerveja, vestido, brinquedo, colher de pau...
Não estava com dó do velho, nunca esteve. Estava pensando nela.
Diálogo comido.
-No que você está pensando?
-Pão.
E foram felizes para sempre.
Quinta-feira, 21 de Maio de 2009
Fê-brão

Tossindo. Passei a madrugada inteira tossindo. Mais um resfriado na minha vida, eu podia contar, do primeiro até este, mas pensando melhor? Contá-los para quê?
Pelo menos quebrou minha rotina...vejamos pelo lado positivo das coisas. Lado positivo... das coisas...
Acordei assustada, estava quente, tão quente que pensei que o colchão estava pegando fogo, e mesmo assim, sentia frio.
Me lembrei, sou um corpo. Sou tão avoada que quase sempre ajo como se fosse uma ideia, uma almazinha flutuante.
Tão frágil, dói e adoece...E as ideias, pobres ideias, dependem dele. Mesmo queimando, com frio, tossindo, eu ainda pensava, isso de algum modo, me confortou,
"Nada demais, por dentro estou bem." era o que ela (eu) me falava.
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
A talentosa de amarelo.
Sempre, ela me interrompe na faxina, perguntando-me se eu tenho um isqueiro. Na maioria das vezes eu tenho. Isso é a a única coisa que nos liga. Uma faxineira e uma atriz, a mesma necessidade de soprar fumaça cinza. Não sei porquê com tanto dinheiro que deve ter, fogo ela nunca tem. Tenho a mera impressão de que me pedir um isqueiro quando estou a varrer seu camarim, seja um pedido de socorro, um jeito de não estar consigo mesma, um jeito de me fazer percebê-la. Uma mulher de talento, nunca vou entender. Não me arrisco entrar em contato com ela, apenas ponho a mão no bolso e entrego seu vício cinicamente, sem sorriso, sem nada, como se ela mandasse em mim. De certo modo, a beleza dela me deixa sem graça, acho que ela é uma das mais belas mulheres que eu já varri camarim, ela tem um nariz feio, mas quase imperceptível em comparação ao que mais chama atenção nela, os cabelos, brilham tanto! Que às vezes me parece o redor do fogo que ela nunca tem, ou um raio de sol materializado.
É engraçado como todas as sextas ela está vestida diferente, me parece que temos até um encontro marcado. Um dia, ela estava toda de vermelho, faria uma personagem sedutora, outro dia toda de azul, faria uma mulher de governador, outro dia, não muito longe, estava toda de preto! Esse dia ela estava um arraso! Faria uma viúva. Lembrei de mim.
Troco apenas duas falas com ela: "Licença, posso entrar?" e "Estou de saída.", agora, trocamos três, porque ela exigiu outro dia que toda vez que eu saísse desejasse muita merda para ela, no começo eu fiquei meio sem jeito, mas depois entendi que faz parte do mundo dos talentosos dizer certas coisas sem nexo.
Dizem que ela é muito boa nos palcos, mas eu nunca vi nenhuma apresentação sua, a não ser alguns ensaios na frente do espelho, que é de onde eu descubro suas personagens, mas se no espelho ela faz bonito, deve fazer bonito no real.
Um dia, entrei no camarim e ela já estava se apresentando, quando se apresenta, não volta muito cedo, e eu aproveitei para me olhar naquele espelho tão especial.
Eu, minha vassoura e meu avental fomos um personagem por alguns minutos, lembrei de meu falecido, morreu jovem o meu amor, lembrei depois do meu papel, faxineira, com isqueiros, viúva e sempre sabendo do diabo do amanhã, acho que tenho inveja da loira, pelo menos ela representa pessoas todas as sextas.
Nesse dia, a bolsa da atriz estava aberta e em um impulso levei a bolsa comigo, e peguei um vestido amarelo que estava pendurado perto dali.
Na rua, eu já estava arrependida do que tinha feito, mas não voltei.
Em casa vesti o vestido, passei a maquiagem que tinha na bolsa, olhei as fotos e recados sem vergonhas que eu nunca iria imaginar existir ali, e bebi em um bar chique da esquina, eu estava representando pela terceira vez na vida.
Uma foi quando casei, eu era uma noiva, ria feito boba das pessoas que me olhavam, da segunda vez foi no velório, quando fui viúva, chorava feito boba das pessoas que me olhavam, e agora eu era uma talentosa... de amarelo e chique.
Não sei se foi o amarelo, mas o público não me aplaudiu, mesmo assim eu sorria feito boba para quem passasse. Depois de alguns copos, lembrei do falecido, deu vontade de soprar fumaça, e eu não tinha isqueiros. Me senti então, apagada.
Voltei para casa, como eu estava bonita no espelho. Mandei a bolsa e o vestido como encomenda para o teatro, e desse segredo só eu sei, e quem sabe... o falecido...
Ninguém desconfiou de mim, e ainda varro nas sextas o camarim da tal atriz, ela me pede isqueiros ainda, e pensa que algum homem mandou a bolsa e o vestido para ela, por conta de um recado que deixei na bolsa.
Nunca mais representei, meu papel me satifaz e eu ainda entrego isqueiros à ela, eu sempre tenho isqueiros! E isso... me acende.
Segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Eu só vejo os espinhos.
Listando comandos eu perco meus subjetivos, e algumas partes das minhas emoções. Eu vi muitas coisas, ouvi outras tantas.
Mato, qualquer ideia que surgir meio rosa, tudo que me vier meio rosa. É que não me parece legal nesses momentos rosas, sonhar e inventar. Esse mundo é encarado por tanta gente, será que eu sou a única que atira no escuro sem saber se tem ladrão? É perigoso ué! É idealizador, não tenho problemas com isso, fantasiar é tão fácil e divertido, mas assim... é uma grande responsabilidade. Não vai se tratar só de mim, não vai se tratar só dos meus pronomes, e não estará no meu governo, é uma enorme responsabilidade.
Sem contar que...
Viu como eu mato possibilidades?



